Learning role in society

Learning role in society

eLearning de 3ª geração

Na Primavera de 2007 o triunvirato coordenador (Teresa Salis Gomes do INA e Isabel Vilhena da FDTI e eu próprio) da IV Conferência Europeia de eLearning que teve lugar em Lisboa, em Outubro desse ano, sob os auspícios da Presidência Portuguesa foi ter a sua primeira reunião com a pessoa que, em Portugal, mais sabe destes temas:- Roberto Carneiro (RC).




Sentámo-nos num espaço minúsculo, mas repleto de livros e documentos que fazem história.


Ali chegados e ao abrir, RC afirma:


Bom..., uma conferência de eLearning em Portugal? Mas, vocês são conhecedores que o eLearning na Europa…já era!


Não sabíamos. Mas, saindo da minha perplexidade, pedi (julgo que num falar muito baixinho...) que nos ajudasse porque em Portugal, a meu ver, ainda não tínhamos sequer conseguido que a “novidade” fosse aceite na Formação e muito menos nas Escolas e Universidades.






São conhecidos os resultados dessa crença e colaboração que, desde então, se criou e vem progredindo.






Roberto Carneiro não é uma inspiração só para nós, mas para muitos Europeus e influencia muitas das políticas europeias que se vêem desenhando desde a Estratégia de Lisboa e agora mais fortemente ainda com a EU 2020 que define como sua prioridade 1ª.: Crescimento baseado no Conhecimento e na Inovação.






Claro que, a sua sabedoria é hoje um exemplo de trabalho em rede e de abertura para pesquisas colaborativas, nomeadamente com o seu colega Claudio Dondi (presidente da Efquel- european federation for quality in elearning e também da Scienter) que recentemente afirmava:


"Aprendizagem e as TIC são dois intensificadores chave da inovação, competitividade, crescimento, inclusão social e de coesão e a aprendizagem tem a possibilidade de se tornar uma poderosa ferramenta para orientar e integrar os potenciais de ambos os processos, para a inovação".










Três anos depois, algo mudou na vertigem dos acontecimentos que atingiram o Mundo desde o eclodir da Crise económica.






Por exemplo, esta frase de responsáveis do nosso Plano Tecnológico (2009) ganha mais sentido e compreensão:






“A competitividade é...cada vez mais um processo associado à inovação em rede, isto é, em espaços de cooperação....






Por isso, a insistência e perseverança para que em Portugal se criem esses espaços de cooperação, tem que ser entendido como pleno de convicção. A Rede Pt Learning Working Group teve a sua aparição pública no Portugal Tecnológico 2010, precisamente associado ás conferências sobre Economia Digital.






Há novos paradigmas económicos e sociais que ainda não estão completamente claros a emergir. A clarificação destes paradigmas dará certamente origem a novas formas de organização do trabalho e subsequentemente à definição das competências necessárias. São estas competências que gerarão as linhas de orientação para a educação e formação do futuro. (ler, a propósito a orientação mais recente da CE sobre New Skills for New Jobs, eskills, Future of learning) .






Em 2010, para todos é mais claro que o que estamos a fazer pela Educação/Formação não vai no bom caminho. Aumenta-se a despesa mas os resultados são pouco encorajadores. Portugal está a fazer um esforço enorme com o seu programa Novas Oportunidades, que tem tudo para ser um Programa campeão, mas ao chegarmos ao Real, número de cidadãos que efectivamente se (re) qualificaram temos que humildemente, encontrar formas de fazer mais e melhor. Por que não nos ouvem: - o eLearning pode ajudar à solução?






Em 2010, com tantas ferramentas colaborativas e com mais saberes e competências, porque não nos colocamos adiante como País admirador das tecnologias de comunicação, agora utilizador intensivo e “fanático” de aprendizagens informais e não formais? Temos já o Programa Magalhães, outro excelente exemplo da capacidade inovadora nacional, agora exigisse utilizar esta plataforma com sabedoria e inteligência. Segundo a European Media Scope - Portugal é surpresa europeia no uso da Internet. (Rebeca Venâncio – Jornal de Negócios - 03/05/10).










As orientações europeias nestes domínios vão para os OER- open education resources e para os UCG- users content generation. O que estamos a fazer para sermos campeões? Porque não está ainda disponível um Portal para que as nossas PME, possam aceder livremente à formação on.line, cumprindo as 35 Horas anuais que, púnhamos as mãos na consciência, é uma das soluções para a melhoria da nossa competitividade. Demos as mãos e trabalhemos juntos para tal!


As organizações que de seguida vão sendo citadas estão empenhadas em fazê-lo e querem afirmar-se, ganhando. São campeãs e querem continuar a sê-lo.






O caso da Cegoc.


Desde 2002 que integra na sua actividade a formação na modalidade eLearning e Blended. O processo de adesão das empresas foi lento e por vezes difícil. No entanto, ao trazermos para esta modalidade formativa mais de 40 anos de experiência pedagógica em Portugal, sempre olhámos para a tecnologia como uma ferramenta ao serviço da eficácia pedagógica.


É difícil destacar, ao longo destes 8 anos, um único projecto, porque aprendemos com todos eles.


Prefiro destacar uma convicção que começa a ser finalmente partilhada pela maioria das organizações, e a ganhar protagonismo com as ferramentas web 2.0: a importância da tutoria e da partilha para o sucesso de um projecto eLearning. (Patrícia Santos, Directora de eLearning da CEGOC)






O Caso da iZone


O eLearning na i.Zone surge em 2004, na altura através da Eduweb, empresa Luso-Brasileira, que iniciou a sua actividade com a comercialização de uma plataforma de eLearning – o Aulanet. O principal objectivo era atingir os países de língua portuguesa e utilizava o Slogan “NewLearning para a Lusofonia”. NewLearning porque desde cedo achámos que seria necessário para a eficiência da aprendizagem colocar todos os ingredientes que nos pareciam essenciais ao sucesso da formação: Plataforma Funcional e amigável; conteúdos altamente interactivos e apelativos e construídos de acordo com os princípios de desenho instrucional ; tutoria activa desenvolvida com chats, fóruns, sessões síncronas com Skype, ou ferramentas similares. Hoje implementamos outras plataformas, algumas das quais de código livre, como o Moodle e orientamos mais a nossa actividade para projectos de consultoria sobre temas conexos com a formação e com a aprendizagem. Neste momento em que a Web 2.0 é já uma realidade e em que começamos a falar já da Web 3.0 – a Web semântica, procuramos catalisar este conhecimento para área da aprendizagem colaborativa, a tutoria inteligente, a mobilidade, etc. (Herculano Rebordão - Director da iZone KS)


O Caso da TecMinho.


O Centro e-learning da TecMinho/ Gabinete de Formação Contínua da Universidade do Minho foi criado em 2004, embora as suas incursões no mundo da aprendizagem a distância tenham sido iniciadas com base em experiências piloto realizadas na UM e na troca de experiências via projectos europeus e internacionais. O primeiro LMS usado foi o Lotus Learning Space (1997), depois a Plataforma Easy (Colaboração UM-Brasil) e desde 2004 a Moodle. Da nossa experiência, é com muito agrado que registamos uma adesão cada vez maior das organizações públicas e privadas e das pessoas, a esta modalidade de aprendizagem. O Centro e-learning tem cada vez mais clientes provenientes das mais diversas organizações e empresas de todo o País. No sentido de participar activamente na promoção do e-learning em Portugal, uma das vertentes da actividade do centro tem sido orientada ao desenvolvimento de eventos nacionais e internacionais na temática do e-learning e tudo à volta. Desses eventos destacamos a organização de Conferências e-learning anuais nas duas Feiras Nacionais dedicadas à educação e formação. (Ana Dias. Coordenadora da Unidade de eLearning)


O caso da Novabase


A unidade de negócio de eLearning da Novabase tem uma experiência acumulada de mais de 15 anos, através da SAF – Sistemas Avançados de Formação. Esta empresa, especializada na área do eLearning e da utilização das TIC nos processos de aprendizagem, foi incorporada na


Novabase Consulting através de uma fusão realizada em 2009. A SAF desenvolveu o primeiro projecto de eLearning em 1996 para o ISQ e o IEFP para a formação de formadores nas áreas da Manutenção, Qualidade e Segurança. Hoje, a Novabase Consulting tem mais de 150.000 utilizadores das suas soluções de eLearning em Universidades, Empresas e Administração Pública. Com mais de 50 colaboradores, presta serviços de consultoria e implementação de sistemas de suporte ao eLearning e gestão do talento, assim como o desenvolvimento de conteúdos digitais de aprendizagem.(Mário Figueira.)


O caso do INA


Dez anos após os primeiros passos na área do e-learning, o Instituto Nacional de Administração regista uma alteração em relação à forma como a Administração Pública e os seus colaboradores se relacionam com a ideia do e-learning e da aprendizagem suportada pela tecnologia. Para algumas organizações públicas o e-learning começa a ser uma solução a equacionar. Apesar da adesão continuar a ser lenta, regista-se um crescimento progressivo da procura. Para tal contribuiu seguramente a quase omnipresença de soluções tecnológicas de suporte à actividade das organizações, que tem vindo a obrigar, por um lado, a um upgrading dos seus equipamentos e infraestruturas e, por outro, a uma familiarização com a interacção em ambientes virtuais. A adopção de um modelo de formação para os dirigentes assente na utilização da plataforma de e-learning e a oferta de conteúdos desenvolvidos pelo INA, particularmente em áreas críticas para a Administração tais como a gestão por objectivos, o SIADAP, as compras públicas ou a gestão financeira, terão igualmente contribuído para essa evolução. O modelo de b-learning do INA assente na utilização da audioconferência e na realização de actividades relevantes para o participante e para a sua organização permitiram ao INA assumir uma posição de destaque na área do e-learning no quadro de entidades congéneres europeias. Por resolver está o desencontro entre a evolução das possibilidades oferecidas pela tecnologia para aprender e a imposição de limitações à sua utilização nas organizações por razões de segurança ou de produtividade dos funcionários. Teresa Salis Gomes (directora de elearning e pedagogia)


O caso da Global Estratégias


O e-Learning na Global Estratégias teve início em 2004 com o lançamento da 1ª oferta Inter-Empresas. A Plataforma Educativa permitiu-nos dar os primeiros passos na modalidade e-Learning em Portugal, cujo desenho institucional se baseia na construcçao de materiais pedagógicos adaptados à modalidade e mediante um processo formativo em que curso é acompanhado por um tutor. Logo no início, a Global Estratégias desenvolveu CD`s Auto-Formativos em áreas-chave. Com o decorrer do tempo, a Global Estratégias procurou refinar estratégias pedagógicas por forma a cativar os Formandos para a Aprendizagem e intuitivamente proporcionou-se a aproximação ao e-Learning 2.0, uma vez que é preocupação constante fomentar a construção e partilha do conhecimento através da Plataforma de Aprendizagem. (Sara Brito – Directora Geral)


















Os novos negócios e o alvorecer das novas aprendizagens ao longo da vida estão aí: - “open innovation”; “marketing innovation”; histórias digitais ou do “storytelling” ; “serious games”; “personal learning environments” ; “learning objects”; “Learning 3D”; “mlearning”; “informal, rapid, micro,... Tudo terminado em learning”. Como vamos aproveitar esta oportunidade de novos mercados e novos negócios? Estamos a fazer algo para que tal aconteça?


Patrícia Santos refere também que, desde 2007, o Grupo Cegos onde a filial portuguesa se insere, tem vindo a dedicar parte dos seus recursos à investigação na área das novas tecnologias da formação. Já realizámos projectos na área do mobile learning e este ano já lançámos um Serious Game na área da formação comercial. No catálogo do grupo vamos integrar pela primeira vez percursos totalmente online que integram módulos eLearning, podcasts e aulas virtuais.






E, Herculano Rebordão, avança com os seguintes exemplos:


Estamos a criar tecnologias para Mobile Learning, com capacidades colaborativas, altamente integrável com outras infra-estruturas e transversal aos Sistemas Operativos hoje existentes para sistemas móveis. Participamos num projecto Europeu em que estamos em conjunto com outros países da UE a construir um Game Base Learning para detecção de necessidades de formação. Nos desenvolvimentos multimédia temos utilizado personagens em vídeo integradas com animação, para tornar a relação do formando mais próxima com o curso. Nalguns projectos integramos videocasts e live training. Temos utilizado sistemas de eLearning como suporte a projectos de Certificação de Qualidade ISO e EQUASS.


Enquanto Ana Dias destaca as seguinte intervenções:


Área Metropolitana de Lisboa – Este ano e em 2011 estão já planeados novos e-cursos para os profissionais dos Municípios, no desenvolvimento de um projecto e-learning supra-municipal, Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros – Centro Jacques Delors - desenvolvimento de um projecto de formação e-learning (sendo o Centro Jacques Delors um organismo Intermédio da Comissão Europeia).Os conteúdos e-learning serão disponibilizados no repositório e-learning (http://e-repository.tecminho.uminho.pt/ ) que é um repositório de livre acesso. Criámos em 2008, na esfera da UMinho o Repositório e-learning – Open Educational Resources (OER), com o objectivo de disponibilizar á comunidade de língua Portuguesa conteúdos de aprendizagem de suporte ao e-learning de forma sistemática, catalogados e distribuídos de forma livre e aberta. O mobile learning é uma área em que fazemos experiências piloto desde 2008, produzindo conteúdos e desenvolvendo pedagogias apropriadas. Na web 2.0 participamos activamente, criando comunidades de prática online (pós cursos e-learning), criamos o grupo “e-learning gurus Portugal” no Facebook, que é um espaço de partilha de informação e conhecimento.


Mário Figueira pela Novabase destaca: - o envolvimento em vários projectos de Learning 2.0, isto é, de recurso às tecnologias web 2.0 para enriquecer os processos de aprendizagem, tornando esses processos mais colaborativos e alinhados com o negócio ou objectivos da organização.Estes projectos passam pelo trabalho contínuo de coaching aos formadores para apoiar os processos de gestão da mudança e na implementação de tecnologias de suporte à aprendizagem personalidada e informal. Alguns casos de destaque são os projectos em curso na Administração Tributária do Ministério das Finanças (DGITA/DGCI/DGAIEC) e no Centro de Informação Europeia Jacques Delors com os professores de diferentes níveis de ensino sobre o tema Europa da Cidadania, Criatividade e Inovação.


Teresa Salis, por sus vez, destaca: - O INA realizou 971 acções de formação em 2009. Contudo, a divulgação da importância da aprendizagem informal para as pessoas e para as organizações constitui actualmente uma das grandes prioridades do Instituto. Foi para ajudar a concretizar esta ideia que surgiu em finais de 2009 o comunidades@ina (http//comunidades.ina.pt), um espaço virtual destinado a proporcionar a partilha de informação, recursos e experiências entre todos os interessados pelos assuntos da Administração Pública. Desde o início do ano, um programa pioneiro de audioconferências quinzenal sobre temas vários, algumas das quais promovidas no quadro de parcerias com entidades públicas e privadas, tem proporcionado um debate com frequência muito rico entre os participantes. Num país onde não existe cultura de participação, o comunidades conta com perto de 900 membros registados, abertos em relação às possibilidades que esta rede virtual lhes pode proporcionar. Sabemos que se trata dum projecto ambicioso, mas o caminho faz-se caminhando.


Sara Brito indica-nos que, actualmente o Grupo Demos/ Global Estratégias está já a desenvolver alguns Projectos Formativos em Mobile Learning, nomeadamente no Sector da Banca. Ao mesmo tempo, o Grupo Demos/ Global Estratégias também tem vindo a desenvolver alguns  Serious Games para várias Empresas Internacionais.


É importante criar um quadro de referência conceptual e metodológico, para que todos as Organizações tenham uma linguagem comum. A Criação de uma Comunidade Prática que tenha essa linguagem comum e que reflicta sobre as melhores práticas da Aprendizagem suportada pela Tecnologia é o ponto de partida para criar Inovação em Portugal. Só com este suporte real é possível uma sensibilização das Entidades e Organismos que regulam as práticas de aprendizagem e ensino em Portugal.






Relembremos em que contextos e ambientes se vive hoje a aprendizagem ao longo da vida. Nelson Trindade (2010) num artigo recente: O que é aprender no século XXI, escreve: No século XXI, no processo de aprender o conteúdo “anda à solta lá fora” com disponibilidade quase total (internet, amigos, empresas, redes, etc). Por sua vez, a forma torna-se não só fundamental como urgente... porque o modelo standard, que por hábito e cultura ainda se usa, não só não funciona como pode ser negativo.






O que suscita uma réplica sobre o que acontece em Portugal. Para Ana Dias falta, do lado da tutela, haver um esforço de integração do e-learning enquanto modalidade de ensino/aprendizagem, criando, por exemplo, uma agência governamental que fizesse a integração entre tecnologias, pedagogias e peritos dos mais diversos sectores, fomentando as práticas e a sua partilha, promovendo projectos para formação e desenvolvimento integrado de tecnologias educativas. E, para Mário Figueira é de grande importância o lançamento em Portugal de uma dinâmica que estimule a produção de conteúdos digitais de aprendizagem de qualidade, nomeadamente através da criação de um selo de qualidade e da publicação de guidelines para a concepção e desenvolvimento de conteúdos alinhados com as normas e especificações internacionais. As empresas que desenvolvem conteúdos de aprendizagem devem liderar esta iniciativa.






E, assim citamos “Na corrida para a Era do Conhecimento todos podem posicionar-se de novo. Os vencedores de amanhã não se encontram pré - estabelecidos. Cortarão a meta em primeiro lugar aqueles que mais cedo souberem interpretar os ventos de mudança que sopram em todos os quadrantes da vida pessoal, empresarial e comunitária. O conhecimento do conhecimento, o meta -conhecimento, define-se pois como a fronteira do futuro e o estaleiro para a edificação do nosso sonho colectivo.” – roberto carneiro(2009).






Melhorando a qualidade e eficiência de produtos e resultados.


Tornando a aprendizagem ao longo da vida e a mobilidade dos aprendentes uma realidade. Permitindo uma cidadania activa e a igualdade ....






Enfim...muito para reflectirmos...e fazermos!