CASA DA ACHADA (CMD). Com este número conclui-se a edição histórica rodeada de «estoicismo» do Passageiro Clandestino


 

Passageiro Clandestino V + Notas de Eduarda Dionísio (2 tomos)

O volume V do diário Passageiro Clandestino de Mário Dionísio (1983-1989) incide sobre a década de 80 do século XX, quando Portugal e o mundo viviam uma assinalável transformação, preparando a globalização cujos efeitos se fizeram sentir profundamente a partir deste milénio. Tratando-se de um registo pessoal de vivências do quotidiano ligadas ao que acontecia e Mário Dionísio destacava, este volume agora editado introduz o leitor numa reflexão sobre temas que juntam e cruzam o público e o privado, a análise crítica e o aprofundamento existencial de inquietações e perplexidades perante o eu e o mundo.


Com este número conclui-se a edição histórica rodeada de «estoicismo» do Passageiro Clandestino: memórias de Mário Dionísio (MD) registadas sob a forma de diário, que de diário pouco tem. 
MD anuncia, repetidamente, o fim da sua carreira literária porque deseja muito terminar a sua vida pintando (o que faz), que pressente já perto. Este diário termina em 23 de abril de 1989 (2 dias antes em que Hobsbawn faz terminar o séc. xx, com a queda do muro de Berlim uns meses depois a 09 de novembro.  O escritor morre em 17 de novembro de 1993. Nascido em 16 de julho de 1916.

Esta é a obra derradeira de Eduarda Dionísio, sua filha, que morre em 22 de maio de 2023, sem a concluir. A suas notas últimas são apenas 12 das 417  que   nele estão contidas. A neta, Diana Dionísio, terminou-o com grande sofrimento, mas também competência muito e bem acompanhada por uma equipa de Pessoas (são citadas 11) que dão sustentação à obra diária da Casa da Achada.

Cito da pág. 9 em resposta à pergunta «as 10 grandes questões e desafios que a humanidade enfrenta no final do milénio». (para um programa da rtp2 em novembro de 1992).
Transcrevo: 
2. O espirito de consumo e a ânsia do dinheiro que algemam alegremente tudo e quase todos, esmagando o verdadeiro prazer da disponibilidade interior e a criatividade verdadeiramente pessoal;
4. A utilização das novas tecnologias, nomeadamente as de comunicação, orientada no sentido de manter e aumentar as atitudes de crendice e de impedir o desenvolvimento do espirito critico;
5.O desprezo pelos direitos do individuo e a agressividade do individualismo; a poluição, que caminha para a destruição da natureza e, obviamente , do HOMEM;
8. O decrescente nível do ensino e da cultura em todos os seus aspetos;
10. O racismo sob todas as suas formas.



Comments

Popular posts from this blog

"Novas Casas Portuguesas by Bak Gordon"